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Há alguns anos ouvi, no Jornal Nacional, pela primeira vez, a palavra apagão. No início fiquei espantado, um pouco incomodado, chegando a um estado de irritação controlada. Não entendia como se empregava essa palavra ridícula para designar a falta de energia elétrica.
Como sempre acontece num país em que até mesmo doutores são caipiras e seguidores de novelas, começou-se a copiar a expressão.
Nessa nova falta de energia, fui conferir manchetes dos jornais pelo país para ver se essa excrecência havia sido extirpada do vocabulário do jornalismo brasileiro. No Jornal O Globo e seus seguidores, estava lá a maldita palavra. Confesso que, mesmo sendo um detalhe pueril, isso me tirou qualquer esperança de que algo bom saia da humanidade. Pareceu-me que o mundo estava condenado pela idiotice, pela imbecilidade e a completa esterilidade intelectual. Era um mundo sem graça, cinzento e estéril.
Disposto a continuar sofrendo, olhei manchetes de outros jornais, fora da linha Global. E por um milagre dos céus, percebi que na Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e no Correio Brasiliense, não houve a utilização do o termo global apagão. Eles usam a palavra blecaute. No Aurélio encontram-se as duas palavras. No fundo é uma questão de escolha, mas essa escolha diz muito.
De qualquer forma, essa constatação foi um lenimento para uma alma sofrida. Percebi que a revolução da canalha não havia contaminado a todos.
Isso me fez suportar com indiferença as manchetes de hoje dos jornais afiliados da Globo falando sobre o apagão. Não leio qualquer reportagem onde apareça este termo, pois a utilização do termo da Globo apenas mostra a insegurança e a falta de conhecimento da maioria das pessoas.
E esse termo não foi o primeiro. Depois do parecer de um "especialista" de São Paulo, jornais do país inteiro passaram a usar o termo risco de morte, alegando que ninguém corre o risco de vida, ignorando que a língua é rica e dinâmica. É um termo que não é utlizado por todos, ainda.
Eu aceitaria muito bem o termo Perigo de Vida, que é a terminologia adotada pelo Código Penal, mas risco de morte dói.
Dizem, com razão, que comunicação é poder. E como os demais poderes, este está sendo usado de forma abusiva e para o mal da humanidade.






















