064 - O problema do Apagão


Há alguns anos ouvi, no Jornal Nacional, pela primeira vez, a palavra apagão. No início fiquei espantado, um pouco incomodado, chegando a um estado de irritação controlada. Não entendia como se empregava essa palavra ridícula para designar a falta de energia elétrica.
Como sempre acontece num país em que até mesmo doutores são caipiras e seguidores de novelas, começou-se a copiar a expressão.
Nessa nova falta de energia, fui conferir manchetes dos jornais pelo país para ver se essa excrecência havia sido extirpada do vocabulário do jornalismo brasileiro. No Jornal O Globo e seus seguidores, estava lá a maldita palavra. Confesso que, mesmo sendo um detalhe pueril, isso me tirou qualquer esperança de que algo bom saia da humanidade. Pareceu-me que o mundo estava condenado pela idiotice, pela imbecilidade e a completa esterilidade intelectual. Era um mundo sem graça, cinzento e estéril.
Disposto a continuar sofrendo, olhei manchetes de outros jornais, fora da linha Global. E por um milagre dos céus, percebi que na Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e no Correio Brasiliense, não houve a utilização do o termo global apagão. Eles usam a palavra blecaute. No Aurélio encontram-se as duas palavras. No fundo é uma questão de escolha, mas essa escolha diz muito.
De qualquer forma, essa constatação foi um lenimento para uma alma sofrida. Percebi que a revolução da canalha não havia contaminado a todos.
Isso me fez suportar com indiferença as manchetes de hoje dos jornais afiliados da Globo falando sobre o apagão. Não leio qualquer reportagem onde apareça este termo, pois a utilização do termo da Globo apenas mostra a insegurança e a falta de conhecimento da maioria das pessoas.
E esse termo não foi o primeiro. Depois do parecer de um "especialista" de São Paulo, jornais do país inteiro passaram a usar o termo risco de morte, alegando que ninguém corre o risco de vida, ignorando que a língua é rica e dinâmica. É um termo que não é utlizado por todos, ainda.
Eu aceitaria muito bem o termo Perigo de Vida, que é a terminologia adotada pelo Código Penal, mas risco de morte dói.
Dizem, com razão, que comunicação é poder. E como os demais poderes, este está sendo usado de forma abusiva e para o mal da humanidade.

063 - Análise Filosófica do Chifre


Depois de descobrir que sua adorada esposa tinha um caso com dois ou três cavalheiros, alguns homens questionam a existência da justiça divina. Eles não conseguem entender onde erraram e inventam teorias, procuram falhas e explicações que nunca são convincentes o bastante para aliviar a dor nos cornos.
A explicação é bem mais simples do que se poderia supor: o sujeito casou com uma vagabunda e não havia outro final para essa história. Quase todas as vezes ele foi avisado, por um amigo bem intencionado sobre as atividades da amada, antes mesmo de decidirem namorar sério.
Claro que o sério da outra era ficar com o sujeito regularmente, assim como ela continuava ficando com aqueles que não eram sérios. De toda forma ele preferiu não acreditar ou pelo menos fazer um mínimo de esforço para comprovar a veracidade do que foi dito.
Algumas dessas mulheres com deficiência para a monogamia, nos primeiros dias do casamento chegam a pensar em mudar de vida, mas um abacateiro, por mais que se esforce, nunca dará mangas. Ninguém pode deixar de ser o que é. E lá se vão os encontros às escondidas, os arrependimentos, as histórias mal contadas, as briguinhas e reconciliações, a descoberta, o perdão ou o fim do relacionamento.
As pessoas gostam de dizer que o amor é cego e burro. Na verdade a única coisa comprovada é que os cegos e burros também amam.

062 - Eu amo vocês dois


Sei que o assunto é chato, mas não consigo esquecer a raiva que passei ao assistir à porcaria do filme Prison Break: O resgate final ( The final Break). É difícil confessar que assisti a todos os episódios das quatro temporadas.
De qualquer forma, na segunda temporada, já comecei a perceber que tudo não passava de um engodo sem fim. A terceira foi tão ridícula - uma fuga numa prisão do Panamá -que acho que nem os fanáticos pelo seriado levaram a sério.
Na quarta, os furos foram aumentando e no final a coisa começou a ficar insuportável. Mas o que mais me irritou foi a frase de Michael Scofield para Sara e Lincoln: " I love you both."
Que tipo de homem diria uma frase dessas para duas pessoas em situações tão diferentes? Os encontros entre ele e Sara mais pareciam os de um velho impotente, preocupado com questões políticas e filosóficas do que os de um homem sadio.
E o pior de tudo é que me lembro dessa frase - I love you both - quando estou dirigindo, dando aulas ou conversando com alguém, sem poder desabafar pela insignificância do problema que, sinceramente, me deu mais contrariedades do que muitas tragédias ocorridas pelo mundo.
Será que não há censores na Fox, um único produtor ou executivo que não tenha suado frio ao ver o resultado final desse filme-seriado?
E depois dessa frase, algumas escorregadas que eu havia relevado começaram a me incomodar outra vez. O assalto patético ao banco, onde ele deixa cair a arma com a chegada da polícia e levanta as mãos. A história do parafuso, a planta do presídio tatuada nas costas. Num presídio onde entrava de tudo, fico pensando qual a dificuldade de pedir o mapa ou conferir os detalhes por um celular ou mesmo guardar na memória onde passava a encanação.
Foi feito um mistério em torno de nada.
Se por acaso eu morrer e chegar com alguém ao Paraíso e São Pedro disser " I love you both", juro que mergulho de ponta no inferno.

060 - Falo, logo sou chato


Muitos maridos ao chegarem em casa conseguem calar todo mundo: ninguém mais tem vontade de falar. Temos sogras que desgraçam a vida do casal com seus palpites, dores e reclamações constantes, parentes sempre a contar casos e a pedir dinheiro emprestado, vizinhos que fazem visitas tão longas que ao saírem, a barba pode ser feita novamente.
Ninguém suporta a presença pestilenta de um chato, sempre contando suas histórias sem graça ou utilidade. Conheci um chato que contava o enredo de todos os filmes que ele havia assistido. Ele não se limitava a um resumo. Contava tudo. Tinha uma memória tão boa que descrevia todas as cenas e os principais diálogos. Todos os dias ele assistia a um novo filme. E queria logo contar. Como seria meu futuro cunhado, não foi difícil concluir que não existia amor nesse mundo capaz de amenizar o problema.
Muitos homens são muito mais do que chatos. Um amigo me disse que chato é aquele que você pergunta como vão as coisas e ele responde. Mas não é verdade. Chato é aquele para quem você não pergunta nada e ele ainda assim resolve te contar tudo.
As pessoas mais chatas são aquelas tão voltadas para si que consideram suas existências miseráveis o assunto mais interessante do mundo. Estão sempre a falar sobre seus planos, suas decepções, seus sucessos e insucessos. Para elas, não há guerra ou terremoto que as desvie dos detalhes de sua vidinha e mesmo no leito de morte, essas pessoas continuam a falar e a exigir atenção.

059 - Prison Break Acabou: enfim, estamos livres


Para gostar realmente de Prison Break, não precisamos mais do que um QI abaixo da média. Assisti às quatro temporadas e tirando a primeira, tudo foi uma decepção monótona, um sentimento de perda de tempo e insatisfação. Estou tão grato pelo fim do show que tenho vontade de fazer uma contribuição para uma dessas instituições de caridade cujos responsáveisf foram tão abençoados que dão caviar até para os empregados.
Finalmente não verei mais bandidos de arma em punho fazendo um discurso que só termina quando levam um tiro pelas costas. Pessoas poderosas e inteligentes agindo como imbecis o tempo todo e sendo enganados pelos dois irmãos e o resto da equipe, cada um com uma motivação para estar ali menos convincente do que as afirmações do presidente de que, em todo o país, ele era o único que não sabia nada sobre a corrupção no governo.
Michael Scofield, de engenheiro, passa a ser muito mais do que MacGyver e James Bond Juntos. Escala prédios, atira, dá socos e ainda consegue fazer o improvável: engravidar Sara Tancredi sem molhar o biscoito.
Durante todas as temporadas, os dois são mais frios do que nariz de cachorro e as declarações de amor de Michael sobre um futuro lar tem tanto romantismo quanto o plano plurianual.
Mas o que mais irrita são as eternas repetições do seriado. Os fugitivos escapam matando dois ou três, depois são pegos novamente, matam mais um tanto e os bandidos e guardas, sempre fazendo discurso antes de serem mortos à traição.
A morte ridícula de Michael, num sacrifício idiota, desnecessário conseguiu produzir mais sono do que outra coisa.
Ainda gostava de T Bag, mas no final, eles o transformaram de um carismático maníaco sexual e homicida num pobre coitado, fraco e sem graça. Bellick, de guarda esperto e mau, no final virou um mendigo, sem qualquer interesse. Meu estômago chega revirar...
Após a morte de Michael, Sara e Lincoln assistem a um vídeo em que ele termina dizendo: " a verdade é que eu amo vocês dois". Nenhum homem de verdade, que estivesse apaixonado iria usar a mesma frase para expressar seu amor pela mulher de sua vida e por um cara que nem sequer era seu irmão.

058 - Bandidos mais elegantes


Uma das diferenças entre os bandidos da vida real e os do cinema é a falta de elegância e de modos. Raramente vemos um criminoso de terno e gravata, em carros de luxo, com modos requintados.
Nossos bandidos ao serem presos estão de bermudão e sandálias, moram em espeluncas imundas e ao invés de utilizarem um diálogo inteligente como o Coringa de Batman, limitam-se a utilizar a palavra "véi" em todas as frases, além de outras gírias entediantes.
E a elegância para a criminalidade poderia até ser um motivo para iniciar uma conversa entre as pessoas. Imagine duas vítimas de roubo baleadas no mesmo hospital. Um diria que quem atirou usava um terno azul marinho, com gravata escura enquanto a outra vítima lamentaria que havia sido baleado por um outro que usava gravata branca com terno azul.
" Acho que não combinava, talvez seja por isso que ele está nessa vida, deve andar meio confuso..."
E os policiais também poderiam aderir à moda. Não temos policiais dirigindo carrões e vestindo-se de acordo com as últimas tendências da moda como nos filmes americanos, inclusive quando vasculham pântanos e desertos atrás de bandidos.
Nossos policiais vestem-se pior do que muitos dos marginais que eles prendem e o linguajar não fica muito atrás.
Talvez essa seja uma idéia para os gênios que conduzem a segurança pública no país: investir em roupas e veículos requintados para policiais. Um homem bem vestido sempre se sente melhor, eleva a auto-estima e sente mais prazer no trabalho. Os bandidos não poderiam receber o incentivo, mas poderiam comprar roupas melhores com o dinheiro das pessoas que matam, espancam, roubam e mutilam no dia a dia.
Seria um investimento melhor do que gastar tudo com drogas e prostitutas. Esse é o tipo de mundo que eu sonho: se um lixo humano me esfaquear durante a madrugada, enquanto disco pedindo socorro , ouvindo o insistente sinal de ocupado, poderia me distrair antes de morrer de hemorragia, tentando adivinhar onde ele havia adquirido aquela roupa tão bonita.
E não são apenas roupas. Temos que pensar também na linguagem, no valor da comunicação entre as pessoas. Se alguém disser "Infelizmente, vou ter que atirar em você, companheiro, nada pessoal. Espero que não haja ressentimentos. Boa sorte do outro lado..." seria bem mais agradável do que o tradicional " vou te passar o cerol, véi..."

057 - As gatinhas do Chat


Talvez não haja lugar nesse mundo que reúna tanta mulher feia quanto as salas de bate-papo. Quase tudo o que é dito em um chat é mentira. Os gatinhos sarados são homens casados e barrigudos, com sérios problemas de ereção, os que se dizem executivos empurram carrinhos de picolé para ganhar a vida e aproveitam a hora de descanso para gastar metade do salário mentindo numa lan house.
Muitos homens usam nicks femininos só para rir depois das cantadas que recebem ou descobrir que na verdade não são tão heteros quanto pensavam. E não importa se a sala é de amizades, idiomas, religião, cidades, idades, profissões ou estudos: todo mundo só quer saber de fornicação.
Nenhuma outra conversa é levada a sério e mesmo que os fingem que estão ali por cultura ou amizades, perguntam logo idade, aparência, pois se não lhes agradar esses dois primeiros, não querem saber de mais nada.

Os casados, de ambos os sexos, não satisfeitos em decepcionar seus parceiros, seja pela má aparência ou pela incompetência ou falta de preparo físico para as relações conjugais, se oferecem para decepcionar pessoas estranhas, aumentando a decepção das pessoas com a humanidade.
Os erros de português são tão gritantes que provam de vez a falência da educação no país, onde a ignorância é chique.
Detalhes que diminuam o interesse no acasalamento são omitidos ou minimizados. Se alguém disser que está um pouco acima do peso, tem obesidade mórbida, se disser que tem 40 anos, tem 55, quando dizem que são solteiros, tem duas ou três enroladas...
Mas o chat é o único lugar em que muitas mulheres são elogiadas e tratadas como gatinhas. É um consolo para uma vida de ressentimentos pela falta da beleza ou pelo castigo dos anos. Mas, é claro, tudo dura somente até o indivíduo ver uma foto ou encontrá-la pessoalmente.
Depois disso, ela volta para o chat, onde sempre pode ser cantada por homens asquerosos, verdadeiros trastes repugnantes se passando por gatinhos.

056 - Viajar no feriadão é pior do que trabalhar a semana inteira



Muitas pessoas assim que surge um feriado começam a arrumar a tralha e saem para a beira dos rios e para cidades turísticas. Colocar as coisas no carro deixa leva parte da noite e da manhã e sempre se esquece algo importante que tira a graça do passeio. Nas estradas, muitos já saem de casa embriagados e param nos postos de gasolina para comprar cerveja e contar as mesmas piadas, tornando o dia dos funcionários do posto de gasolina mais infeliz.
Aqueles que levam os filhos têm mais trabalho tomando conta deles do que normalmente têm em casa, de forma que ao retornarem para casa, passam a maior parte do tempo refletindo sobre o que deu errado em suas vidas.
Quando chegam aos destinos, os homens casados ficam de olho nas mulheres dos outros e nas solteiras, tentando se convencer que se estivessem sozinhos seria moleza descolar companhia para o feriado. As mulheres basicamente tentam aturar a inconveniências dos maridos e fingir que realmente acertaram na escolha do parceiro.
Em quase todos os lugares, depois de se instalarem, as pessoas comem e bebem muito, dormem mal, têm prisão de ventre, ressaca e dor nas costas. A maioria não toma tantos banhos quanto em casa e alguns sequer usam desodorante. O resultado final é um cheiro que desanima qualquer um.
Na volta para casa, mais uma vez o trânsito infernal, somado à decepção do tempo e dinheiro perdidos, além do retorno à rotina no dia seguinte.
Os poucos que acham ter aproveitado o tempo, logo se arrependem, ou pela gravidez seguida pela descoberta que o telefone passado pelo pai é falso ou pelo oficial de justiça entregando uma citação para um processo de reconhecimento de paternidade cumulado com pagamento de pensão.


055 - Somos burros demais


Não precisamos falar em física quântica ou filosofia, basta colocar qualquer um de nós para operar um controle remoto, micro-ondas ou mesmo uma centrífuga e mal conseguimos fazer o mínimo possível.
Programar uma gravação pelo videocassete é possível há muitos anos. O aparelho saiu de linha e poucos utilizaram o recurso. Os controles ficam cada vez mais simples para evitar colapsos mentais daqueles que decidem usar todos os recursos de seu aparelho.
Ler manuais é uma tarefa tão complicada quanto uma cirurgia no coração para a quase totalidade das gentes.
Computadores e Internet estão entre os itens mais desconhecidos e utilizados ao mesmo tempo. Parece que ninguém sabe realmente nada.
Em alguns filmes, pessoas voltam no tempo e aproveitam seu conhecimento da História e das ciências para se dar bem. Se isso acontecesse de verdade com um grupo de jovens, eles se mostrariam mais ignorantes do que seus antepassados.
Exceto por certas datas, o conhecimento do passado é zero. Mesmo os poucos que conseguem resolver fórmulas matemáticas não tem a menor idéia do uso prático do seu conhecimento.
E mesmo nessa confusão, a humanidade caminha e se multiplica, numa prova definitiva que em nossas vidas, inteligência é tão útil quanto caspa.

054 - Cachorrada doentia


Em todas as áreas da atividade humana impera a malandragem, a má-fé, a incompetência, o egoísmo desenfreado, a maldade, superficialidade, mesquinhez e mais duzentos e quarenta e sete outros fatores semelhantes que omito por falta de tempo.
São políticos fazendo leis em benefício próprio, policiais cometendo crimes, religiosos desviando dinheiro e corrompendo fiéis, professores que deveriam voltar aos bancos de escolas, alunos traficando drogas, jornalistas sendo pagos para dar ou esconder notícias, festas onde a alegria só é proporcionada pelo álcool, casais que não dormem juntos, gente que reclama demais, enfim, um verdadeiro caos onde quase nada é sincero ou verdadeiro.
O curioso é que existem pessoas boas e agradáveis, mas elas logo se separam. Algums mudam de emprego ou cidade e você não as vê mais. Enquanto isso, a gentalha nunca se muda, nunca progride, nunca tem o que fazer, sempre está no mesmo lugar tão presente em nossas vidas quanto a noite e o dia.
Quase nunca podemos conviver com as pessoas que gostaríamos. Estamos separados eternamente, condenados a conviver com uma cachorrada doentia que , repito, nunca vai embora. Os anos passam e são sempre as mesmas caras, os mesmos desejos impuros , a mesma face desagradável.
E o tempo não passa ao lado dessas pessoas. Estamos em uma reunião com gente mentindo e contando vantagens, olhando o tempo todo as horas e quando achamos que não é mais possível para um ser humano suportar mais um segundo aquele tormento, recebemos o aviso de que a reunião, finalmente, vai começar.

053 - Aprendam a cozinhar


Num site americano deparei-me com uma dica para as mulheres aprenderem a seduzir um homem. Entre as dicas estava dançar e ser um pouco misteriosa. Essa dica me pareceu tão útil quanto ensinar etiqueta na casa da Mãe Joana.
Para encontros casuais não há muito segredo, pois a maioria dos homens encaram qualquer coisa. O problema para muitas mulheres é como manter o homem. Danças e mistérios dão mais enfado do que outra coisa. Poucas mulheres ignoram um conselho antigo: o homem é fisgado pelo estômago. Acontece que cada vez mais, há mulheres que não sabem cozinhar ou que cozinham mal. E ao chegar em casa, muitos homens querem algo agradável para comer, recebendo a notícia de que a mulher não sabe fritar um ovo.
Já vi muitos homens elogiando suas mulheres e a maioria dos elogios vão para a arte culinária. Nunca em toda a minha vida ouvi um único elogio à dança ou ao ar de mistério.
As novas gerações gostam de pizza, mas não sabem fazer uma. E entre uma mulher que cozinha bem e outra que nada sabe fazer, quase 100% dos homens escolhem a boa cozinheira, desde que não haja uma grande diferença física entre elas.
Existem mais homens que se apaixonaram depois de um bom jantar do que por danças e rituais de sedução. Um amigo me contou que desistiu do casamento porque num fim de semana que passou com sua noiva, ela disse que jamais entraria numa cozinha. Ele nada disse , mas na semana seguinte o noivado terminou.
E olhe que ela dançava bem e tinha um ar misterioso.

052 - O quintal do vizinho


Ter vizinhos é um fardo necessário para os que escolheram viver no mundo civilizado. De qualquer ângulo que se examine o problema, nunca é uma situação agradável. Você não pode fazer muito barulho para o vizinho não reclamar e tem que suportar as festas e o barulho do seu vizinho, aguentando calado para que tudo não termine na delegacia ou no cemitério.
O excesso de contato com vizinhos sempre termina em brigas, em chifres, em fofocas ou ressentimento. Não há qualquer motivo para ir a casa de um vizinho nem para receber a visita deles. Não há laços entre vizinhos senão a proximidade geográfica. Temos tanto em comum com um vizinho de parede quanto com um cidadão do outro lado do mundo.
Os cumprimentos e gestos de cabeça chegam a um ponto que você precisa calcular a hora de sair e entrar de casa para não cruzar com o o vizinho.
Algumas pessoas eram felizes até chegar um novo morador para a casa ao lado. Num mundo cheio de traficantes, psicopatas, estelionatários, malandros, assassinos e ladrões, podemos imaginar como se sentem os vizinhos desse tipo de gente.
Em muitas cidades, os vizinhos não se conhecem, não se cumprimentam, mal sabem da existência um do outro. Pode parecer que é uma vida ideal, mas não é um consolo.
Ainda assim há o barulho, as brigas, o convívio forçado.
O fato que mais comprova o quanto é nociva a figura do vizinho é a prisão. Se não fosse pela vizinhança, a maioria dos presídios seriam verdadeiras colônias de retiro e descanso espiritual.
Esse é o motivo pelo qual subimos sozinhos para o paraíso e descemos aos montes para o inferno.

050 - Os milionários de São Jorge


De que adianta ser milionário e ser casado com uma mulher mais feia do que filhote de urubu? Alguns indivíduos possuem fazendas, apartamentos, dinheiro em abundância, mas vivem sempre em desânimo, contrariados com tudo, num aborrecimento tão grande que alguns mendigos tem maior qualidade de vida.
No final de um dia de trabalho, o infeliz vai em seu carro importado para uma grande mansão, em seu terno italiano, chega em casa e ali está uma criatura que espanta assombração durante o dia.
O jantar desce com dificuldade e o sujeito ainda arruma mil coisas para fazer a fim de diminuir o tempo gasto com sua consorte.
E é uma situação sem saída. Ele poderia terminar o casamento, mas perderia boa parte de sua fortuna, o que nunca deixou nenhum homem satisfeito. Se conseguir uma gatinha preparada, irá passar mais raiva ainda, pois além dos chifres, correrá o risco de ser morto por algum amiguinho dela, que estará sempre de olho na fortuna. Também terá que atender aos gostos da infeliz que, nesses casos, sempre é mais vagabunda do saldo de pregão.
É uma vida complicada. Se o indivíduo deixa de lutar pelo dinheiro para correr atrás de mulheres, termina infeliz , na miséria, sem saber como melhorar de vida na terceira idade, se consegue o dinheiro e não tem uma mulher pelo menos apresentável, começa a questionar o valor da vida e pensar que tudo foi em vão.
Bem dizia o famoso filósofo Aristóteles : " De um jeito ou de outro, se fu..."

045 - Menos entusiasmo



Algumas mulheres, talvez tentando agradar aos parceiros, gemem tanto, ficam tão agitadas numa excitação tão desproporcional ao que está ocorrendo, que muitos homens perdem a concentração e muitas vezes são obrigados a adiar o tão esperado ato.
Um amigo me contou que chegando ao motel, assim que tiraram as roupas, sua namorada começou a gemer tão alto, ficou tão ofegante que ele sentiu que não era necessário ao prazer que a fulana estava sentindo. Quando ela se preparava para receber o distinto, gemia tanto que ele não pode mais manter a firmeza e disse, indignado : " Espera pelo menos eu colocar essa coisa para você ficar gemendo..." Segundo ele, uma hora depois, com a mulher de boca fechada, conseguiu voltar à atividade, mas o namoro terminou.
E esse fato não é tão incomum. Há alguns anos, quando fiz uma cirurgia de retirada de excesso de pele do instrumento, resolvi fazer um teste e conheci uma mulher que resolveu me auxiliar nessa tarefa e mostrou-se tão entusiasma, remexeu-se tanto, gemeu deu tantos gritos que o mesmo mal me sucedeu.
Ao final, consegui também fazer o teste, sempre tapando a boca da mulher que nunca mais vi.
Não se pode também ficar como outra, que foi para o motel com esse mesmo amigo e durante todo o ato ficou olhando para a parede, totalmente alheia ao que estava acontecendo. Vendo que labutava sobre um corpo inerte e frio, ele fingiu o clímax e foi para a banheira, onde conseguiu aliviar a si mesmo olhando a mulher deitada, que segundo ele tinha o corpo espetacular, mas tinha tanta vida quanto uma mosca morta.
É por isso que algumas mulheres lindas de rosto e de corpo recebem um par de chifres colocados por uma baranga qualquer e nunca entendem o motivo.
Claro que o tipo mais temido e odiado de todos é aquela que durante o ato começa a rir e quando perguntado do motivo diz " nada não, lembrei de uma coisa..." Não preciso dizer que isso tem provocado mais separações do que flagras de traição.

037 - Celebremos o Orkut


Você perde um tempo enorme selecionando vídeos do Youtube para colocar no seu Orkut, escreve uma daquelas frases sem graça e uma semana depois, metade dos vídeos estão desativados. É preciso ficar o tempo todo conferindo o que não está mais disponível e relendo os comentários sobre o vídeo que não está mais lá.
O orkut em si é tão chato quanto os vídeos. Os recados idiotas de quem nada tem a dizer ou cumprimentos tão entusiasmados que parecem que a pessoa está chapada. Quanto mais vazio o recado, mais entusiasmado ele é.
Junta-se também perfis de algumas mulheres que não dão um pastel de rodoviária, mas julgam-se verdadeiras deusas, falando tão bem de si, que se não as conhecêssemos, daríamos algum valor.
É mais uma prova da grande consideração que as pessoas tem por elas mesmas.
Os depoimentos melosos e insinceros dão azia em sal de fruta. Nunca vi tanta breguice num lugar só. Pelo menos há um grupo que acha que toda essa nojeira tem algum interesse e não permite que outros leiam os comentários ou vejam fotos.
As comunidades idiotas são apenas frases. Quase nenhuma delas apresenta conteúdo, senão uma frase admirada por gente baixa, que acha importante ter qualquer filosofia, mesmo que seja desse nível.
Enfim, é mais uma celebração da estupidez, da vaidade e do vazio da vida.


036 - Dirigir é pior do que receber um par de chifres


Se você leva um par de chifres, fica triste um pouco, reconcilia ou se separa, mas segue sua vida.
Com o trânsito não há essa opção. Você tem que enfrentar o problema crescente até o final dos dias. E o caos não resulta apenas do aumento de veículos, mas sim do aumento de incompetentes dirigindo.
Motoristas que insistem em andar pela direita a trinta quilômetros por hora, que para fazer uma curva cinco blocos adiante, quase param o veiculo, que param no sinal ainda verde para não correr o mais remoto risco de ser fotografado.
O trânsito mostra a humanidade como ela é: medorosa, mesquinha, gananciosa e extremamente burra. Cada manobra tem raiz num desses males.
É um convívio em que não há como ignorar o seu próximo. Você precisa ter consciência dele o tempo todo. É agredido pelos espertos que querem tomar a sua frente, pelos morosos que impedem seu caminho e também por aqueles que acham que o sinal de seta pode causar câncer, por isso eles nunca o utilizam.
As mudanças na legislação para habilitar motoristas só serviram para retirar mais dinheiro do povo. A cada decisão das autoridades de trânsito, tudo o que se vê é mais dinheiro indo para os bolsos alheios e o problema cada vez pior.
Muitos já receberam chifres e se conformaram, outros ficaram até felizes depois de algum tempo. Não conheço ninguém que esteja satisfeito com o trânsito.

035 - Ir ao banco tira a graça do dinheiro


Os caixas eletrônicos a cada dia irritam mais. São pessoas que não se lembram da senha, que vão aos pares e aos trios tentar retirar uns trocados e tomam pelo menos meia hora dos demais clientes.
Muitos bancos deixam apenas um caixa disponível para saque, aumentando as filas e o tempo de espera. Alguns gênios chegam ao ponto de retirar um extrato antes, sacar o dinheiro e retirar outro extrato, num tempo médio de dez minutos por operação.
Na última vez em que fui a um desses caixas, um adorável cidadão, para não pagar pelo extrato em papel, pegou uma caderneta e copiou os dados do extrato na tela.
Aprendi que não se deve discutir com estranhos sob pena de levar um tiro no meio da tarde, por isso é aconselhável extravasar a raiva de outra forma, como ficar em silêncio e desenvolver uma úlcera.
Raramente as pessoas sabem como realizar as operações e quase nenhuma consegue fazê-lo com rapidez. Alguns bancos disponibilizam funcionários para ajudar os clientes nessa missão quase impossível, o que mostra mais uma vez que o progresso e a evolução atinge apenas uma pequena parte da sociedade. O homem já foi a lua, revolucionou as comunicações? Nada disso, alguns poucos o fizeram e a quase totalidade continua no mesmo nível do homem das cavernas.
E tudo é encarado com naturalidade, havendo mesmo um certo orgulho da ignorância. Mesmo tendo acesso aos frutos do progresso, boa parte da humanidade estaria mais à vontade na idade média.

034 - Todos os funcionários públicos vão para o inferno


Se existe uma classe amaldiçoada pela humanidade é a dos funcionários públicos. Taxada em todas as culturas de malandros e parasitas, são seres que vagam pela terra numa luta sem fim para escapulir do trabalho, para ganhar algum por fora, enganar a sociedade e importunar as pessoas.
Essa espécie de gente, sempre atacada pelas moscas - atraídas pelo mau cheiro - é composta por covardes o bastante para enfrentar uma vida medíocre em troca da segurança. Mesmo aqueles capacitados vão se tornando, aos poucos, preguiçosos e incompetentes; os honestos terminam malandros e mentirosos. Parece ser um antro onde toda a virtude é corrompida, de modo que, diante de tanto ódio e desprezo, o destino de todos eles, inclusive o meu, parece ser ir para os quintos dos infernos.
Mas não é uma idéia tão ruim. Com certeza no reino do fogo e dos tormentos, os funcionários públicos ficarão encarregados de atender reclamações, de providenciar melhorias e também do controle da lista de espera para ir para o céu.
É possível que em poucos milênios Belzebu desista do negócio e o mundo talvez tenha paz. E nesse caso, tudo será obra dos mal falados funcionários públicos que , pelo visto, estão numa missão muito maior do que se poderia imaginar.
O pior de tudo é que os que trabalham muito e de acordo com a lei, são os mais odiados, pois vivem interferindo nos interesses dos velhacos que não são funcionários públicos. São chamados de cruéis, de cachorros do governo, de traidores do povo e de outros nomes impublicáveis. É uma classe que trabalhando bem ou mal, está condenada ao desprezo eterno neste e no próximo mundo.

033 - Perder a barriga é mais difícil do que ganhar na Megasena


Não importa qual dieta você siga, quantas vezes você vá a academia, que tenha cortado açucar ou gorduras, quantas noites fique sem jantar: a barriga não vai embora. Se você malha demais, vem a fome insuportável e você acaba comendo mais do que antes e engordando. Se não come, fica doente e tem que comer mais para não morrer.
Muitas mulheres fazem lipoaspiração e menos de um ano depois precisam repetir a dose, pois engordaram de novo e estão mais feias do que antes.
Homens contam vantagem de seu novo físico, dizendo que estão usando calças que não serviam há anos, mas a barriga proeminente ainda está firme.
Passsam os anos e a barriga vai aumentando. Quando finalmente aceitamos a barrigas, as bochechas começam a se arredondar e novas dietas e exercícios se iniciam numa luta sem fim.
Com um esqueleto preparado para carregar a pouco mais da metade do peso atual, entramos no terrível mundo dos que desafiam a gravidade. E assim como o cemitério, é um lugar sem volta.
O pior de tudo são aqueles poucos que conseguem voltar ao peso normal. Todos tem uma cara de doente que assusta as pessoas. Andam por ai sem jeito, pois tem sempre que explicar que não tem aquela doença e que não doaram órgãos para comprar o carro novo.
A probabilidade de acertar os seis números da megasena é uma em mais de cinquenta e um milhões. Ainda assim é bem mais fácil do que perder a barriga.

032 - Os verdadeiros deuses


Cristianismo,
Elvismo, Hinduísmo , Budismo, ateísmo, não importa qual seja sua religião, todos fazem parte do grande e verdadeiro culto da humanidade: adorar outros homens e mulheres de carne e osso. Não há país do mundo que não idolatre, que não acompanhe a história e os feitos de atores, cantores, modelos, políticos e esportistas.
Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, Europa e Japão, as revistas mais vendidas são aquelas sobre celebridades, filmes e novelas. Muitos desconhecem quem foi Maomé ou Cristo, mas todos conhecem Madonna, Michael Jackson e os Beatles. Não há limites para a propagação dessa religião e há também uma explicação racional: estamos limitados por nossa própria espécie. Onde quer que se olhe, estamos sempre acompanhando histórias e feitos de outros homens.
Um filme ou livro nada mais é do que o relato do que aconteceu com outras pessoas. O mercado de gente fazendo sexo movimenta bilhões, assim como o de gente cantando, dançando, jogando, falando ou fazendo qualquer coisa.
Você não precisa ser um gênio para saber que tipo de música os jovens de hoje gostam mais. Gostam das músicas que outros jovens estão cantando. E de filmes onde aparecem jovens fazendo seja lá o que for.
E nem os intelectuais ou misantropos escapam da adoração de gente. Citam frases de outras pessoas, repetem pensamentos de outros, sempre voltado para um segmento de gente com o mesmo perfil dele, de modo que não há transcendência sobre a condição humana. Somos uma espécie envolta em si mesma, sem necessidade de recorrer a qualquer outra dimensão.
Cansei de ouvir religiosos elogiando o belo sermão, a decoração do templo, o carisma e as piadinhas do orador, a presença de fulano e sicrano, mas jamais ouvi reflexões sobre a doutrina religiosa ou questões abstratas. O que vale para os fiéis é o próprio pregador e nunca sua mensagem.
Nem os desenhos animados escapam dessa limitação. Ursos tomando café da manhã e indo para a escola de uniforme são uma prova de que nem na imaginação conseguimos escapar da própria espécie.

031 - Só os cachaceiros são felizes


Para quem gosta de beber todo lugar é bom. Não importa qual seja a festa, qual time foi campeão, os pinguços estão sempre tomando algo e se a conversa não é boa no início, logo se torna mais agradável do que realmente o é. Nas pescarias, nas praias, num acampamento, os milhões de consumidores de álcool estão sempre em casa.
Nos clubes, rios e praias não importa a temperatura ou qualidade da água, nos fins de semana tanto faz estar passando algo bom nos cinemas ou teatros, pois com cerveja à disposição, tudo é apenas um acessório.
A cerveja embeleza as pessoas, mostra qualidades inexistentes, desperta a libido de muitos, vence barreiras, inicia namoros e filhos indesejados.
Todo mundo sabe que numa festa horrível, encher a cara é a única opção racional. Nenhuma filosofia é capaz de aliviar o tédio mais do que uma cerveja gelada.
Muitos casamentos só sobrevivem por causa do álcool. Os dois trabalham durante a semana e no sábado e domingo, se tivesse que se aguentar o tempo todo como realmente são, não haveria conselheiro sentimental que preservasse o matrimônio. Com algumas na cabeça, o sujeito começa a sorrir sem motivo e supera o fim de semana de forma agradável e alienada.
E até para os solitários que não bebem ,o álcool mostra sua generosidade. Uma mulher bonita que sóbria não se dignaria a nos conceder um olhar, se estiver chapada pode nos oferecer bem mais do que a prudência recomenda.
É por isso que nenhuma campanha convence o povo a largar o copo. A sobriedade muitas vezes revela realidades que só bebendo para esquecer.

030 - Devia ter trabalhado menos...



Muitos se emocionam com músicas e poemas que dizem que deve-se trabalhar menos e aproveitar mais a vida, tomar mais vinho, ser mais desorganizado, ver o sol se pondo, enfim, viver a vida sem se preocupar. Acontece que aqueles que realmente fizeram isso, estão na miséria, arrependidos e obrigados a trabalhar até o último dia de vida, pois não lhes restou nada. Os parentes não os ajudam e são rotulados de mendigos e vagabundos.
É fácil para quem tem economias acreditar que as teria conseguido na vadiagem, mas a única coisa que sempre quis, desde jovem, foi não ter que vender picolé para completar a aposentadoria.
Ainda acho que se tivesse trabalhado mais e estudado mais quando na juventude, hoje estaria em situação bem mais confortável.
O homem, em geral, nunca está satisfeito. Mas quem já experimentou a miséria e a falta de recursos, sabe que filosofia não paga a conta de luz.
Vejo pessoas se arrependendo de não terem sido vagabundos, esquecendo-se de que os vagabundos estão arrependidos de não terem agido de outra forma, sentindo os efeitos da velhice de forma bem mais severa, pois além da fragilidade, do desprezo social, do esquecimento da família, das dores nas costas e várias doenças, ainda precisam lutar pela sobrevivência, pois nada fizeram no passado senão evitar o trabalho e encher a cara de pinga.
Músicas desse tipo são um pedido de desculpas à deusa da preguiça, que governa o homem desde o princípio dos tempos.
O problema é que, se você não morrer jovem, vai aprender que ,dependendo da sua miséria, a velhice parece uma eternidade.

029 - O lado bom da morte


Imagine velhos políticos, poderosos, ricos, com opiniões formadas e preconceitos imutáveis. O poder dessa espécie só desaparece com a morte. Também fazendeiros e empresários que controlam o dinheiro e a vida da família com mão de ferro até o último suspiro. Essa gente quando morre deixa feliz não só os parentes e donos de funerária, mas toda a sociedade.
Todas as grandes invenções e descobertas só foram absorvidas pela nova geração. Sempre é preciso esperar a morte das pessoas daquela época para que os novos avanços fossem completamente aceitos. Até hoje muitos homens e mulheres que tem o poder nas mãos não gostam de computadores. Mas o tempo vai se encarregar da mudança.
Muitos bandidos ricos tem apenas a morte como último obstáculo. Conseguem se livrar da justiça, da polícia e até mesmo de opositores e continuariam seu reinado de maldade e crimes o alívio involuntário da existência.
A morte além de renovar a sociedade traz esperanças de uma vida melhor. Não queremos morrer, mas o fato dessa escolha não ser nossa é um dos mecanismos que torna tudo mais suportável. Algumas mortes são lamentáveis. Especialmente as prematuras, de pessoas que tinham algo de bom a fazer na terra. Mas não se pode dizer que a morte tem apenas um lado ruim.
Até nós mesmos, vez ou outra percebemos que só a morte trará o alívio para o cansaço dos anos, para os males da velhice, para as dores, a solidão e as mágoas acumuladas ao longo dos anos.
Muitas vezes a morte traz a paz para as famílias, para o mundo. O orgulho de certas pessoas sucumbe diante da morte. E nenhum funeral espetacular, transmitido ao vivo, com a presença de milhares de pessoas irá mudar o fato de que aquela pessoa não existe mais.
E a morte só tem importância quando realmente ocorre. A sua iminência ou certeza em nada mudam o mundo. Até o último instante, a maioria continua mesquinha, angustiada, ciumenta, gananciosa e má. Mesmo no leito, aguardando o último sopro, alguns ainda confabulam, maquinam, magoam. Em alguns momentos um parente olha para o relógio e pensa consigo mesmo: " depressa, depressa..."
Já fui a muitos funerais. Em todos eles, os presentes ficavam mais tempo contando piadas e falando sobre futebol ou política do que sobre o defunto.
O mais curioso são algumas mulheres que vão ao velório de minissaia ou com decotes escandalosos. Essa é , sem dúvidas, a razão pela qual muitos homens nunca deixam de dar pelo menos uma passada na cerimônia fúnebre. A vida continua para dos demais.

028 - Batman é apenas um PM rico


Os super heróis não passam de representação de policiais que trabalham por amor à causa, sem respeito pelas leis, necessidade de mandados judiciais, sem salários baixos , sem aceitar suborno e com poderes que os livram das limitações das pessoas comuns.
Imaginar que um milionário iria sair pela cidade numa viatura caracterizada, de uniforme, prendendo bandidos, patrulhando a cidade pode empolgar alguns, mas na verdade o que o milionário faz é usurpar a função dos agentes de polícia para passar o tempo lidando com a escória do mundo.
Todo mundo sabe que os funcionários público da segurança são limitados, sem recursos, presos por normas que cada vez mais tiram prerrogativas e dificultam a cada ano o parco exercício da segurança. Então, o herói passa a ser a grande esperança do inconsciente popular: um policial que trabalhe dia e noite em prol da sociedade, invadindo casas, torturando suspeitos, usando poderes para descobrir fatos que um homem normal não conseguiria, escutas ilegais e tudo o que for necessário para chegar à verdade e prender os criminosos, sem buscar nenhuma vantagem que não a justiça.
Imagino se Bill Gates secretamento já gastou alguns milhões para comprar o Gatemovel e sai pela periferia tentando flagrar um traficante ou um ladrão de lojas....não só Batman, mas todos os super heróis, inclusive os dos desenhos animados não passam de policiais . Da Formiga Atômica ao Super Homem, temos policiais civis, militares e federais combatendo o crime de graça e de forma eficiente.
Certa vez, lendo um artigo que felizmente não me lembro do que se tratava nem qual o infeliz que o escreveu, deparei-me com a frase : "Batman é considerado um dos maiores detetives do mundo..." A frase é discutível. O problema é que a discussão gira em torno de outros detetives fictícios como Hercule Poirot e Sherlock Holmes, o que demonstra a inutilidade de qualquer argumento.
Parece que ser PM é mesmo a melhor profissão do mundo, todos os que a exercem são considerados heróis, enquanto os verdadeiros ganham mal, são discriminados e processados por quase todas as prisões que realizam.
Gostaria que um dos adoradores de heróis, ao ligar 190 recebesse a seguinte informação: " No momento nossas viaturas estão todas acostumadas, o Sr. já tentou o Bat Sinal?

027 - O circo democrático



Até mesmo pessoas cultas e admiráveis abrem a boca para dizer a cada eleição que o voto é o grande símbolo da democracia. Entende-se e respeita-se essa afirmação, desde que seja feita com má-fé. Mas quem acredita nisso de verdade, tem tanto entendimento da realidade quanto aqueles que creem que o presidente nunca soube da corrupção de seu governo.
Antes, por pior que fosse o político, ele precisava ter pelo menos alguns dons naturais, seja aparência, seja oratória. Hoje, qualquer um, até mesmo um cavalo, pode ser eleito, já que foi suprimido quase todos os recursos que possibilitassem expor qualidades do candidato. Tanto é verdade que os deputados mais votados são grandes desconhecidos do povo. Os partidos controlam o processo eleitoral e decidem quem pode concorrer e muitas vezes quem vai ganhar. Não há a figura do candidato independente e os movimentos no congresso sinalizam o fortalecimento dos partidos, quando deveriam ser extintos.
De toda forma, o que mais irrita são jornalistas exaltando a importância do voto, iludindo o povo sobre um processo que apenas perpetua a escravidão de uma camada e mantém outra sempre no poder.
Quando se pensa bem, nenhum poder é legítimo. Tudo não passa de uma maracutaia que permite malandros tomarem conta do destino e dos cofres do Estado. Os nomeados para presidir bancos e autarquias bilionárias , em geral, não teriam capacidade de limpar o chão da sala que ocupam.
Mas como o futebol, eleição é um grande evento para o povo, que discute probabilidades e desempenhos, que torcem e lamentam derrotas. Por algum tempo cria-se a ilusão de algo irá mudar. E o tempo vai passando. O povo é distraído e depois traído.