083 - A maioria vai tarde


Apesar de ainda idolatrados por velhos imprestáveis, saudosos do tempo em que podiam urinar sem ter que pedir ajuda divina, os antigos ídolos do futebol como Pelé e outros, hoje seriam goleados por qualquer time de segunda divisão sem suar muito a camisa, se houvesse possibilidade de se voltar ao passado. Como não há essa possibilidade, até o final da existência, esses jogadores do passados serão admirados.
As novas gerações dos esportes coletivos evoluíram tanto que alguns esportes como o vôlei masculino ficaram sem graça. Ver um jogo da década de setenta é tão monótono quanto ouvir um discurso de um político ladrão sobre moralidade.
Apesar da gentalha intelectual alardear o fim dos tempos, as novas gerações conseguem driblar os problemas de saúde e alimentação e o mundo continua cada vez melhor, com mais oportunidades e recursos.
Em resumo, não faremos falta quando finalmente dermos descanso ao mundo. A nossa ida desta para melhor será um alívio para muitos, indiferente para a quase totalidade, uma abertura de vaga ou posto de trabalho, uma viúva ou viúvo na praça, uma pequena herança, mas em nada a humanidade irá perder.
Todo o nosso conhecimento e experiência nada valem, porque houve uma revolução na difusão do saber, de modo que a sabedoria da velhice é mais do que um mito, é uma mentira.
Há muito eu acreditava que a maioria das mortes não era digna de se lamentar. Hoje, começo a ver que muitas são motivo pelo menos de alívio.
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