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Greve é melhor do que férias. A única desvantagem é não ter o acréscimo de um terço do salário. E é um movimento farto de vantagens. Pode resultar num aumento de salário, não conta como afastamento da atividade e nada impede umas férias logo após o retorno ao trabalho.
E existem várias formas de participar de uma greve. Alguns discursam e fazem inimizades defendendo pontos de vista, outros fazem alianças e campanhas políticas, outros vão pescar ou ficam em casa contrariando a mulher e os filhos.
Nenhuma greve tem realmente outro objetivo que o aumento de salário. Melhoria de condições de trabalho sempre agradam, mas o que realmente importa é o dinheiro no bolso. Ninguém se importa com a sociedade ou o bem da nação, queremos grana para atender aos apelos do consumo.
Quando se pensa bem, quando você tem o que comer e onde dormir, tudo mais é supérfluo, de modo que queremos apenas sair gastando dinheiro para driblar o vazio existencial que acaba tomando conta de todo funcionário público.
Ninguém gosta de grevistas. Nem mesmo eles próprios se toleram. Quando vemos uma figura respeitável fazendo greve, não conseguimos deixar de pensar que essa pessoa não passa de um malandro, um fracassado qualquer mendigando trocados.
O fato é que fazer greve é um ato de rebeldia contra o sistema é não há como evitar ressentimentos. Geralmente, no final de tudo, tem-se um aumento imperceptível ou a promessa de dias melhores, mas pelo menos passamos um mês ou mais sem produzir nada, recebendo o dinheiro público.
Não há dignidade em nada disto, mas quem não chora não mama.
Já dizia um oficial da PM, filosofando: "para tirar o leite, é preciso meter o pé na merda"