093 - O lado que a imprensa escuta

 Há alguns anos um jornaleco noticiava a morte de uma mulher atropelada em uma rua comercial. Após um parágrafo contando o acidente, o jornal lembrou que as ruas daquele setor, inclusive aquela em que a mulher morrera fora recentemente asfaltada com verba liberada pelo Governador do Estado.
A reportagem prosseguia enumerando obras do governo e não voltou mais a falar sobre a morte da mulher. Li algumas outras matérias e quase tudo terminava em bajulação desenfreada. 
Muitos jornalecos inúteis vivem de esmolas do governo, assim como artistas fracassados, carnavelescos, escritores e artistas que são odiados pelo povo, buscam no Poder Público um meio para não passar fome ou ter que trabalhar.
Lendo reportagens brasileiras sobre a crise no Egito, pareceu-me que o jornalista apenas adaptou uma matéria de algum jornal americano e que entendia tanto sobre o mundo árabe quanto eu entendo sobre agradar as mulheres.
 Noutra reportagem sobre a guerra fria entre Estados Unidos e China, o repórter preocupou-se tanto em defender os Estados Unidos que parecia mais campanha para conseguir o Green Card do que uma má redação ou cópia de artigos americanos.
A ideologia pregada pelas nossas principais revistas e jornais faz com que a morte não pareça tão cruel e tira a esperança de dias melhores. Tudo rescende a Macdonals, Coca-cola e o lançamento da semana.
Os bilhões gastos pelo Poder Público em propaganda inútil fazem com que nossa imprensa seja servil e conivente com a robalheira que campeia em todo o Brasil. 
Fala-se em erradicar a miséria e a fome. O último presidente era homem iletrado, o atual presidente da câmara não tem curso superior. Pelo visto erradicar a ignorância é coisa fora dos planos de qualquer governante.
 De qualquer forma, está muito claro que nossa imprensa está do lado de quem governa, quem autoriza pagamentos e contratos de publicidade. A liberdade de imprensa pressupões corte da dependência financeira com o governo, o que seria a morte de mais de metade dos veículos de comunicação.
Queria que alguém explicasse porque uma empresa estatal que fornece energia elétrica precisa gastar centenas de milhões em propaganda quando não tem concorrente. Se o cliente não quiser seus serviços terá que voltar às cavernas ou contratar com as Centrais Elétricas Marcianas.





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