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Um dos piores aborrecimentos a que estamos sujeitos é suportar o convívio com amigos ou parentes que moraram nos Estados Unidos ou na Europa por alguns anos e estão de volta ao Brasil. Poucos sabem inglês de forma fluente, falando apenas uma sequência de palavras com um sotaque pesado ao estilo de Tazan, como se todos tivessem aprendido inglês com um chimpanzé.
Claro que o mais irritante são as estúpidas comparações entre o Brasil e o país onde o cidadão passou algum tempo fugindo da polícia e limpando privadas: " Lá nos Estados Unidos é bem diferente daqui...as leis são bastante rigorosas... lá se você não tiver seguro, vai preso na hora..."
Depois vem a sequência de fotos do indivíduo numa rua qualquer onde a placa sempre tem destaque para deixar bem claro que se trata de outro país. O restante das fotos, em geral, não passa de bebedeiras com pessoas estranhas, além de fotos panorâmicas de péssima qualidade da cidade onde estiveram.
Passada a novidade da volta do sujeito, de centenas de histórias sem interesse, vem a fase da descoberta de que ninguém sentia falta dele e que o lugar do qual teve tantas saudades continua o mesmo buraco cheio de caipiras trabalhando em serviços desprezíveis durante a semana e enchendo a cara nos dias de descanso.
Passados dois ou três meses, o pensamento da volta vira uma obsessão.
Boa parte dos negócios iniciados tem a falência como destino certo. A maioria consegue se dar bem melhor enquanto manda o dinheiro para qualquer um administrar, mesmo que seja um pinguço que passava na rua, do que quando administra pessoalmente.
Durante todo o tempo, temos ainda que ouvir o preço de tudo o que foi trazido, além de comentários sobre o valor de automóveis usados e dos amigos que ficaram para trás, sendo que a maioria deles nunca mais entra em contato uns com os outros.
Um dos casos mais degradantes de que tive notícias foi a de um monte de estrume que ficou três anos nos Estados Unidos sendo sustentado por sua mãe, uma lavadeira que mandava dinheiro todos os meses para o filho pagar aluguel e comprar maconha.
Também gosto da história dos brasileiros que foram expulsos em Londres onde ouviam sertanejão bravo em alto volume enquanto enchiam a cara e choravam de saudade de nossa terra. Uma sirigaita quis pular a catraca no metrô de Paris para não pagar passagem e veio parar no Brasil. Há também os casos de gravidez aqui e lá de casais que se separaram e não tiveram paciência para esperar pela alma gêmea e se viraram com uma alma qualquer.
De qualquer forma, há sempre um equilíbrio. A maioria não contribuiu em nada com o país aonde foram e nada trouxeram de bom para o Brasil.